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Cidades Maiores — criatividade, envelhecimento e participação

Por Novembro 4, 2025Dezembro 11th, 2025No Comments

No dia 1 de novembro, o Bombarda Maior promoveu o seu primeiro Encontro de Comunidade, um momento pensado para juntar vizinhos, lojistas, artistas e maiores em torno de uma pergunta simples: como podem as cidades crescer com as pessoas, em vez de as afastar com a idade?

A sessão “Cidades Maiores”, moderada por Andreia Moutinho (CIS Porto / LabIS), trouxe duas organizações pioneiras que trabalham o envelhecimento ativo através da criatividade e da economia local: A Avó Veio Trabalhar e Vintage for a Cause.

Cada uma, à sua maneira, mostrou como é possível transformar competências, tempo e histórias de vida em impacto social real.

A Avó Veio Trabalhar — Criatividade como forma de participação social

A Avó Veio Trabalhar é um creative hub 60+ que combate o isolamento e o idadismo através da criação artística, da manualidade e da relação entre gerações. A apresentação trouxe imagens marcantes: mesas partilhadas, oficinas de bordado e macramé, coleções produzidas em colaboração com designers, avós na ModaLisboa e peças criadas a partir de memórias têxteis.

Os temas centrais que apresentaram durante a conversa:

O envelhecimento como potência criativa, e não como desistência.
A produção manual como espaço de autoestima, autonomia e encontro.
Colaboração intergeracional, seja em oficinas, performances ou coleções.
Rutura com estereótipos, visível nas imagens de avós-modelo, avós-artistas, avós-autoras.
Reativação de tempo e saberes como contributo para a economia cultural local.

A Avó Veio Trabalhar mostrou, com a experiência prática de mais de 10 anos, que a participação artística pode ser uma forma poderosa de cidadania — e que as cidades precisam de espaços onde as pessoas mais velhas possam experimentar, errar, criar e surpreender.

Vintage for a Cause — Moda circular com compromisso social

A Vintage for a Cause apresentou o seu trabalho de reutilização têxtil e empoderamento de mulheres 50+, assente num modelo de economia circular e impacto social mensurável.

Alguns dos pontos-chave:

Problema/Oportunidade: o setor têxtil gera volumes enormes de desperdício e, ao mesmo tempo, existe uma população 50+ com pouca integração no mercado de trabalho.
Missão: reduzir desperdício, educar para o consumo responsável e empoderar mulheres 50+.
Metodologia 3D: longevidade + educação + moda responsável.
Programas como “From Granny to Trendy”: oficinas semanais, fotografia inicial/final, desfiles, exposições, co-lideranças e integração comunitária.
Impacto comprovado:
– +78% competências
– +89,8% sentimento de comunidade
– +72,8% saúde mental e autoestima
– +2000 kg de resíduos têxteis reutilizados
– presença em 9 cidades, com mais de 1400 participantes

A Vintage mostrou que envelhecimento ativo, economia circular e criação de comunidade podem coexistir num mesmo modelo — replicável, escalável e com resultados sólidos.

O que se discutiu — temas que atravessam Bombarda

A partir das intervenções das oradoras, emergiram questões que fazem sentido para o futuro do Bombarda Maior:

De que forma os territórios podem acolher — e não apenas tolerar — o envelhecimento ativo?
Como transformar competências individuais (costura, jardinagem, organização, fazer manual) em contributo para a vida da vizinhança?
Qual o papel das lojas e ateliers enquanto espaços de relação, e não só de transação?
Como criar programas intergeracionais que não infantilizem nem romantizem nenhuma das partes?
O que significa envelhecer com propósito num lugar como Bombarda — criativo, independente, vivo, mas por vezes acelerado demais?

O Bombarda Maior posiciona-se exatamente neste cruzamento: o da criatividade com a proximidade, e o do envelhecimento com a participação cidadã. Escutar estas organizações — com abordagens tão diferentes e complementares — permitiu reconhecer que há muitos caminhos possíveis para construir comunidades que incluem todas as idades.

O momento comunitário

Depois da conversa, o Coro Coragem encheu o CCBombarda com música e espontaneidade. Cantou-se em conjunto, riu-se, comentou-se a sessão e abriu-se espaço para continuar a conversa de forma mais leve.

O final de tarde trouxe o essencial: vizinhos que não se conheciam passaram a conhecer-se, lojistas conversaram com maiores que nunca tinham entrado nas suas lojas, e Bombarda mostrou-se exatamente como queremos que seja — um lugar onde a convivência acontece de forma simples, natural e sem barreiras de idade.

Fotografias: Associação Quarteirão Criativo ©  pela Diana Monteiro

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