O artista André da Loba é o vencedor do concurso Afinidades 2026 – Práticas Gráficas Contemporâneas, promovido pelo Museu Nacional Soares dos Reis (MNSR) e pela Associação Quarteirão Criativo. O anúncio foi feito no domingo, 18 de outubro, durante a sessão de encerramento da exposição, que reuniu 49 obras de outros tantos artistas ligados às galerias, lojas e ateliers do Quarteirão Bombarda, no Porto.
A obra vencedora, intitulada “Homo Fluens”, propõe uma interpretação original da Caneca Inglesa da Real Fábrica de Vidros de Coina, produzida entre 1719 e 1747 e pertencente ao acervo do MNSR, escolhida como ponto de partida para o desafio artístico desta edição.
Em vez de reproduzir a forma do objeto histórico, André da Loba recua ao gesto primordial da sua criação: o sopro que transforma a matéria e lhe dá forma. A figura de Homo Fluens – o homem fluido – representa o criador que, através do seu próprio fôlego, inventa, transforma e transmite um saber ancestral.
A composição estabelece uma analogia entre o mestre vidreiro e o músico que toca um instrumento de sopro. Ambos recorrem ao ar do próprio corpo para dar existência a algo novo, transformando um elemento invisível numa expressão material e artística.
Esta relação entre conceito e processo criativo prolonga-se na execução da obra. A textura marmoreada, que evoca a dualidade entre transparência e opacidade do vidro, foi manipulada na água exclusivamente através do sopro do artista. O gesto que deu forma ao objeto histórico encontra, assim, uma nova expressão na criação gráfica contemporânea.
A sessão de encerramento
A sessão de encerramento, que decorreu no Foyer e no Pátio do MNSR, reuniu artistas participantes, representantes das galerias e lojas do Quarteirão Bombarda, a equipa do MNSR e público em geral.
O diretor do MNSR, António Ponte, abriu a sessão agradecendo aos parceiros, apoios e mecenas, e enalteceu o trabalho desenvolvido em conjunto com a Associação Quarteirão Criativo. Seguiu-se Sílvia Pinto Costa, que apresentou a jornada desta edição. Coube depois ao curador Júlio Dolbeth anunciar o vencedor.
O apuramento do vencedor resultou da combinação da avaliação do júri com a votação do público. O júri foi composto por Mariana a Miserável, Rui Vitorino Santos, Marina Costa, Paula Oliveira e Júlio Dolbeth.
O artista vencedor
Ilustrador e artista plástico português de reconhecimento internacional, André da Loba desenvolve uma obra multidisciplinar que cruza ilustração, design gráfico, animação e escultura.
Colaborador de publicações como The New York Times, The New Yorker e Time Magazine, tem sido distinguido por diversas instituições internacionais, incluindo a Society of Illustrators de Nova Iorque e a Feira do Livro Infantil de Bolonha.
Em 2025, conquistou o Prémio Nacional de Ilustração com o audiolivro Contos Cantados. Atualmente radicado no Porto, é representado no Afinidades 2026 pela Galeria Cruzes Canhoto.
Um diálogo entre a coleção do Museu e a criação contemporânea
Resultado de uma parceria estratégica entre o MNSR e a Associação Quarteirão Criativo, o Programa Afinidades tem como propósito aproximar o Museu da sua vizinhança e incentivar novas relações entre o património histórico e as práticas criativas contemporâneas.
Nesta terceira edição, o projeto integrou ainda atividades de experimentação artística, nomeadamente o workshop Laminado Gráfico, orientado por Marta Belkot e Júlio Dolbeth, visitas comentadas à exposição e a edição de um catálogo que documenta as obras apresentadas e os processos criativos dos participantes.
O encerramento do Afinidades 2026 assinala mais uma etapa de um programa que reconhece a vitalidade artística do Quarteirão Bombarda e consolida o Museu Nacional Soares dos Reis enquanto espaço de diálogo, participação e criação contemporânea.
O Afinidades 2026 – Práticas Gráficas Contemporâneas contou com o mecenato do Super Bock Group, o apoio institucional do Círculo Dr. José de Figueiredo – Amigos do MNSR e o apoio da DORF.























